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Age-Friendly Health Systems e os 4Ms

  • Dec 15, 2025
  • 7 min read

Onde os biomarcadores funcionais da LabRx entram no cuidado clínico da pessoa idosa


LabRx

Apesar de a prática clínica com pessoas idosas exigir decisões altamente individualizadas, boa parte da organização do cuidado ainda acontece “por doença” — e não por prioridade, função e risco. O movimento Age-Friendly Health Systems (AFHS) surgiu justamente para tornar o cuidado mais confiável, seguro e centrado na pessoa, por meio de um conjunto integrado de práticas chamado 4Ms (What Matters, Medication, Mentation e Mobility). Esse framework é descrito como um guia estruturante para que as equipes “saibam e ajam” sobre os 4Ms em toda interação e em diferentes cenários de cuidado. Ainda assim, há evidência de que profissionais não aplicam consistentemente o 4Ms na tomada de decisão com idosos — e que o próprio conhecimento do modelo é heterogêneo.

Neste contexto, biomarcadores não “substituem” os 4Ms (que começam por conversa, rastreios e função), mas podem dar objetividade ao que é monitorável, apoiar priorização clínica e reduzir decisões baseadas apenas em impressão. A seguir, a abordagem está organizada por produto LabRx e, depois, pelos quatro M’s, indicando onde cada painel tende a se encaixar na lógica Age-Friendly.


O que são os 4Ms e o que muda na prática

Os 4Ms são um conjunto integrado de objetivos operacionais:

  • What Matters: conhecer e alinhar o cuidado às metas de saúde e preferências da pessoa idosa.

  • Medication: quando necessário, usar medicação “age-friendly”, evitando interferir com What Matters, Mentation e Mobility.

  • Mentation: prevenir/identificar/tratar e manejar depressão, demência e delirium.

  • Mobility: garantir que a pessoa idosa se mova com segurança diariamente, preservando função e o que importa para ela.

Um ponto-chave: o modelo é integrado — não é um checklist linear. A proposta é desenhar processos para que essas práticas sejam confiáveis e aconteçam sempre.


Produtos LabRx e biomarcadores úteis na lógica Age-Friendly


CoproOne® Disbiose (fezes): barreira, inflamação, digestão e reatividade

CoproOne Disbiose

O painel organiza marcadores de integridade de barreira, inflamação, função digestiva, imunidade de mucosa e reatividade neuroimune. Na prática Age-Friendly, isso costuma se conectar com sintomas que limitam função, risco de intervenções farmacológicas desnecessárias e acompanhamento longitudinal.

Biomarcadores e por que importam (objetivamente):

  • Zonulina fecal: moduladora de tight junctions, com aumento associado a maior permeabilidade intestinal.

  • Calprotectina fecal: biomarcador inflamatório intestinal, relacionado à migração/ativação neutrofílica.

  • Lactoferrina fecal: glicoproteína associada à ativação neutrofílica e resposta imune de mucosa.

  • Alfa-1 antitripsina fecal: marcador de perda proteica intestinal e disfunção de barreira/mucosa.

  • Elastase pancreática fecal: indicador funcional de capacidade digestiva pancreática (reduções sugerem insuficiência exócrina).

  • Ácidos biliares fecais: útil no contexto de diarreia por má absorção/alteração do metabolismo biliar.

  • IgA secretora fecal: componente de imunidade de mucosa e tolerância oral.

  • Gliadina sIgA fecal: reatividade imune específica a alimentos (gliadina).

  • Histamina fecal: marcador ligado à reatividade bioquímica e interface neuroimune (ver CoproOne SII).

Onde isso “entra” nos 4Ms (primeiro encaixe):

  • What Matters: sintomas gastrointestinais, energia, tolerância alimentar, rotina e adesão.

  • Medication: contextualiza queixas GI que frequentemente levam a escalada de fármacos.

  • Mentation: eixo intestino–imunidade–neuroquímica como hipótese funcional quando pertinente.

  • Mobility: diarreia, dor, fadiga e baixa absorção podem limitar reabilitação e mobilidade diária.


CoproOne® Estroboloma (fezes): β-glucuronidase e eixo metabólico-hormonal

CoproOne Estroboloma

O painel mede β-glucuronidase fecal, associada ao estroboloma e à recirculação/reativação de metabólitos estrogênicos, com implicações clínicas quando o eixo metabólico-hormonal é relevante ao caso.

Onde encaixa nos 4Ms:

  • What Matters: sintomas ligados a vitalidade, composição corporal e bem-estar quando forem prioridades explícitas.

  • Medication: contexto de terapias hormonais, fitoterápicos e escolhas com trade-offs.

  • Mentation: quando o quadro envolve humor/sono com interface endócrino-metabólica.

  • Mobility: pano de fundo de reserva anabólica e função, guiado por metas.


CoproOne® EDN (fezes): ativação eosinofílica como dado funcional

CoproOne EDN

O EDN/EPX é apresentado como biomarcador funcional de ativação eosinofílica e ferramenta de monitoramento em quadros de hipersensibilidade alimentar, incluindo acompanhamento de intervenções como dieta de eliminação e provocação.

Onde encaixa nos 4Ms:

  • What Matters: quando o objetivo é reduzir sintomas específicos sem “tentativa e erro” interminável.

  • Medication: pode apoiar discussões para evitar escaladas farmacológicas não alinhadas a metas.

  • Mentation e Mobility: quando sintomas sistêmicos (fadiga, sono ruim, dor) limitam função — sempre como integração clínica, não como causalidade automática.


CoproOne® SII (fezes): neuroquímica entérica mensurável (Histamina, Serotonina, Triptofano, GABA)

CoproOne SII

O painel é direcionado ao intestino irritável “muito além do intestino”, com mensuração de serotonina, triptofano, GABA e histamina fecais.

Biomarcadores (definição funcional):

  • Serotonina fecal: relacionada à regulação entérica, comunicação neuroimune e motilidade.

  • Histamina fecal: amina biogênica ligada à reatividade de mucosa e interface neuroimune.

  • GABA fecal: associado a sinalização inibitória e estabilidade neuroentérica.

  • Triptofano fecal: elo bioquímico com vias serotoninérgica e quinurenínica (ver DBS Neuroinflamação para avaliação sistêmica).

Onde encaixa nos 4Ms:

  • Mentation: humor, sono, hiper-reatividade, “brain fog” com componente entérico.

  • Medication: suporte a decisões para reduzir dependência de sintomáticos quando o foco é longitudinal.

  • Mobility: dor abdominal, urgência evacuatória, fadiga e sono ruim limitando mobilidade diária.


DBS® Intolerância Histamínica (sangue seco): Histamina + DAO

DBS Intolerância Histamínica

A histamina circulante é apresentada como marcador de excitação metabólica, e a relação histamina/DAO como núcleo mensurável na intolerância histamínica.

Onde encaixa nos 4Ms:

  • Medication: particularmente quando o plano inclui fármacos com impacto em sono, cognição e risco de quedas.

  • Mentation: reatividade, sono e ansiedade como parte do quadro.

  • What Matters: reduzir crises/reatividade quando isso é prioridade declarada.


DBS® Neuroinflamação (sangue seco): Triptofano, Quinurenina e atividade IDO

DBS Neuroinflamação

O painel avalia a via triptofano–quinurenina, interface entre imunidade e SNC. Em contextos de ativação imune, o metabolismo pode desviar para a via da quinurenina sob controle da IDO, reduzindo disponibilidade de triptofano para síntese serotoninérgica. Esse desvio pode se relacionar a sintomas como fadiga, apatia e sono não reparador, e a quinurenina é descrita como biomarcador sensível de neuroinflamação sistêmica de baixo grau.

Onde encaixa nos 4Ms:

  • Mentation: organização de humor, energia e cognição com hipótese imunometabólica.

  • Mobility: fadiga e baixa energia como barreiras a mobilidade diária e reabilitação.

  • Medication: ajuda a discutir trade-offs (ex.: sedação que melhora sono no curto prazo, mas piora função).


DBS® Estresse Oxidativo (sangue seco): Nitrotirosina

DBS Estresse Oxidativo

A nitrotirosina é apresentada como marcador de dano por peroxinitrito, vinculada à perda de função de proteínas e dano oxidativo de membranas.

Onde encaixa nos 4Ms:

  • Mobility: quando a prioridade é desempenho físico/recuperação funcional com acompanhamento longitudinal.

  • Medication: apoio a decisões e monitoramento de intervenções, alinhado a metas.


DBS® Cardiovascular (sangue seco): LDL Oxidada

DBS Cardiovascular

A LDL oxidada é descrita como biomarcador funcional, com mensuração associada à trajetória aterosclerótica.

Onde encaixa nos 4Ms:

  • Mobility: metas funcionais e de atividade dependem de estratégia cardiometabólica coerente.

  • Medication: suporte a conversas de adesão e decisões guiadas por preferência e tolerância.


NeuroStress® (urina em papel filtro): Serotonina, Dopamina, Noradrenalina, Adrenalina, Histamina, GABA, Glutamato

NeuroStress

O NeuroStress é descrito como avaliação do eixo neuroquímico funcional, integrando neurotransmissores relacionados a motivação, humor, alerta, foco e energia (ex.: serotonina; dopamina; noradrenalina).

Onde encaixa nos 4Ms:

  • Mentation: quando humor, ansiedade, foco e sono são o núcleo do caso e precisam de monitoramento.

  • Medication: contextualiza decisões envolvendo psicotrópicos e efeitos funcionais.

  • What Matters: quando metas são “voltar a ter energia”, “dormir sem sedação” ou “reduzir ansiedade” com plano mensurável.


SalivaCare® (saliva): Curva de Cortisol, Melatonina, S-DHEA/DHEA, esteroides sexuais e IgA secretora

SalivaCare

A curva de cortisol salivar é utilizada para avaliar ritmo de estresse/adaptação e seu impacto em sono e energia. A melatonina é tratada como marcador central do ritmo sono–regeneração, com queda associada a alterações do sono e envelhecimento do eixo cronobiológico. O DHEA-S é posicionado como reserva anabólica e índice de vitalidade/longevidade funcional, conectando-se a energia e tolerância ao estresse.

Onde encaixa nos 4Ms:

  • Mentation: sono, estresse, humor e cognição como base do plano funcional.

  • Mobility: quando a meta é função, mas o gargalo é sono não reparador, baixa energia ou estresse crônico.

  • What Matters: útil quando o objetivo declarado é recuperar ritmo de sono e capacidade de rotina.


Aplicando os 4Ms: onde os biomarcadores entram em cada “M”


1) What Matters: começa com a pergunta certa — e termina com monitoramento alinhado

What Matters exige perguntar, documentar e alinhar o cuidado às metas e preferências. Biomarcadores entram depois da meta, como instrumentos de trajetória.

Exemplos de encaixe:

  • Meta: “voltar a caminhar todos os dias sem urgência evacuatória” → CoproOne Disbiose (inflamação, barreira, digestão, ácidos biliares) + CoproOne SII (serotonina/histamina/GABA).

  • Meta: “dormir bem sem sedação” → SalivaCare (cortisol/melatonina).


2) Medication: reduzir risco funcional (queda, confusão, sedação) e alinhar trade-offs

Medication inclui revisar e, quando possível, evitar/deprescrever medicamentos de alto risco, pois podem interferir com What Matters, Mentation e mobilidade segura.

Onde a LabRx pode apoiar, quando clinicamente indicado:

  • Reatividade sistêmica e crises: DBS Intolerância Histamínica (histamina/DAO).

  • Trajetória cardiometabólica: DBS Cardiovascular (LDL oxidada).


3) Mentation: rastreio + hipótese funcional monitorável (quando pertinente)

Mentation envolve prevenção/identificação/tratamento e manejo de depressão, demência e delirium, com rastreios clínicos recomendados. Biomarcadores podem complementar o raciocínio em casos selecionados.

Exemplos:

  • DBS Neuroinflamação: via triptofano–quinurenina–IDO, especialmente quando fadiga, apatia e sono não reparador são centrais.

  • NeuroStress: mapeamento do eixo neuroquímico funcional quando o caso exige acompanhamento de humor/alerta/foco.

  • SalivaCare: ritmo de cortisol e melatonina em queixas de sono/adaptação.


4) Mobility: função diária exige remover barreiras “invisíveis” (dor, sono, GI, energia)

Mobility busca garantir movimento seguro diário. Barreiras comuns incluem dor, fadiga, urgência evacuatória, sono ruim, sedação e baixa energia.

Painéis frequentemente úteis para organizar essas barreiras:

  • CoproOne Disbiose: quando o limitador é GI (barreira, inflamação, digestão).

  • DBS Neuroinflamação: quando energia/fadiga é o gargalo funcional com hipótese imunometabólica.

  • SalivaCare: quando o limitador principal é o eixo sono–estresse.



O cuidado Age-Friendly não é “mais uma teoria”:

Age-friendly é uma forma prática de alinhar decisões com prioridades reais, minimizar risco medicamentoso, proteger mente e preservar função. Quando usados com critério, os biomarcadores funcionais da LabRx ajudam a transformar sintomas complexos (GI, reatividade, sono, energia, humor e risco cardiometabólico) em trajetórias monitoráveis, facilitando ajustes clínicos coerentes com os 4Ms e com o que a pessoa idosa realmente quer preservar.


Manual do Prescritor LabRx

Se você quer aplicar o 4Ms com monitoramento longitudinal, o Manual do Prescritor LabRx detalha a lógica de interpretação e integração clínica dos painéis (CoproOne®, DBS®, NeuroStress® e SalivaCare®), permitindo escolher biomarcadores conforme prioridades funcionais (What Matters), risco terapêutico (Medication), queixas neuropsíquicas (Mentation) e metas de capacidade diária (Mobility).


Referências:

LABRX. Manual do Prescritor – LabRx

INSTITUTE FOR HEALTHCARE IMPROVEMENT (IHI). Age-Friendly Health Systems: Guide to Using the 4Ms in the Care of Older Adults: IHI, 2020.

MATE, K. S. et al. Age-friendly health systems: the 4Ms framework, 2021.

LESSER, A. et al. Clinician knowledge and behaviors related to the 4Ms framework of Age-Friendly Health Systems. Journal of the American Geriatrics Society, 2022.

EMERY-TIBURCIO, E. E. et al. The 4Ms of an Age-Friendly Health System. AJN – American Journal of Nursing, 2021.

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