top of page
Search

Roma V e eixo intestino-cérebro: o novo “idioma” da neurogastroenterologia

  • May 18
  • 5 min read

Quem atende queixa digestiva no consultório já vive esse cenário: paciente com dor, distensão, alteração do hábito intestinal, náusea, refluxo atípico, sensação de “intestino inflamado”… e, muitas vezes, exames estruturais sem achados proporcionais ao sofrimento. Por anos isso foi rotulado como “funcional”, termo que, além de impreciso, abriu espaço para uma leitura reducionista (e frequentemente estigmatizante). O Roma V muda o eixo da conversa: ele organiza essas condições dentro do conceito de eixo intestino-cérebro e explicita, com linguagem atual, que os sintomas emergem de mecanismos biológicos e psicofisiológicos integrados — não de “ausência de doença”.

Ao mesmo tempo, o Roma V reforça uma tendência prática: quanto mais entendemos mecanismos (barreira, microbiota, inflamação de mucosa, neurotransmissão entérica, sensibilização central), mais sentido faz usar ferramentas que permitam fenotipar pacientes e acompanhar resposta. É nesse ponto que os exames funcionais da LabRx se encaixam com naturalidade: eles não “substituem” o diagnóstico clínico, mas ajudam a aproximar o raciocínio do Roma V da rotina do prescritor, conectando sintoma → mecanismo provável → estratégia terapêutica → monitoramento.


Eixo intestino-cérebro: do que estamos falando, na prática?

O eixo intestino-cérebro (na visão do Roma V) descreve quadros em que o sintoma gastrointestinal resulta de combinações variáveis de:

  • distúrbios de motilidade (trânsito acelerado, lento, descoordenado);

  • hipersensibilidade visceral (limiar de dor reduzido e amplificação do sinal);

  • alterações do microambiente intestinal (barreira epitelial, imunidade, enteroendócrino);

  • mudanças na microbiota e em seus metabólitos;

  • modulação central (processamento de dor, hiperatenção visceral, estresse, sono, humor).

O valor clínico desse modelo é direto: o paciente pode ter o mesmo diagnóstico sindrômico (ex.: SII), mas mecanismos dominantes diferentes. E isso explica por que dietas, probióticos, neuromoduladores, intervenções sobre histamina, ajuste de ácidos biliares ou estratégias de regulação do estresse funcionam muito bem para uns e pouco para outros.


O que o Roma V trouxe de mais útil para o prescritor


1) Diagnóstico mais “positivo” e menos por exclusão

O Roma V reforça critérios e algoritmos clínicos para identificar distúrbios do eixo intestino-cérebro de forma estruturada, sem transformar todo paciente em uma maratona de exames. Isso não significa “investigar menos”, e sim investigar melhor: buscar sinais de alarme e condições orgânicas prováveis, mas manter o foco no fenótipo clínico e nos mecanismos.


2) Biopsicossocial, mas sem cair no “é ansiedade”

O Roma V consolida o entendimento de que fatores psicossociais (estresse, trauma, hipervigilância, padrão de sono) modulam sintomas por vias neurobiológicas reais. Não é uma explicação alternativa à fisiologia — é parte dela. 


3) Microambiente intestinal como peça central

Barreira, imunidade de mucosa, microbiota e sinalização enteroendócrina ganham protagonismo. Isso conversa diretamente com avaliação funcional fecal: não para “diagnosticar Roma V”, mas para identificar pistas do mecanismo predominante e orientar condutas.


Onde os exames da LabRx se alinham ao Roma V

A seguir, a conexão é propositalmente clínica: qual pergunta do consultório cada exame ajuda a responder dentro da lógica do eixo intestino-cérebro.


CoproOne® Disbiose: quando o sintoma pede leitura de barreira, inflamação e imunidade de mucosa

CoproOne Disbiose

Nos distúrbios do eixo intestino-cérebro, especialmente nos fenótipos intestinais (SII, distensão funcional, constipação crônica, diarreia funcional), é comum haver sobreposição de:

  • permeabilidade/barreira alterada;

  • ativação inflamatória de baixo grau;

  • desbalanço imunológico de mucosa;

  • e, em alguns casos, sinais de má digestão ou alteração de ácidos biliares, que por si só podem sustentar diarreia, urgência ou distensão.

O CoproOne® Disbiose organiza isso em um painel integrado (barreira, inflamação, digestão e imunidade local). A utilidade prática é tirar o prescritor do “tratamento padrão para todo mundo” e levar para uma leitura do tipo:

  • predomínio de barreira/permeabilidade → estratégia centrada em integridade mucosa, tolerância imunológica e gatilhos alimentares;

  • predomínio inflamatório → investigação de contexto e acompanhamento de marcador;

  • padrão de baixa capacidade digestiva → correção de digestão e redução de fermentação/irritação luminal;

  • alteração de ácidos biliares → pensar em disfunção do metabolismo hepato-intestinal como driver de diarreia/urgência.

O Manual do Prescritor descreve essa lógica de interpretação por padrões funcionais (e não marcadores isolados), conectando faixas a hipóteses fisiopatológicas e estratégia de acompanhamento.


CoproOne® SII: quando a queixa é “intestino e cérebro estão no mesmo circuito”

CoproOne SII

Se o Roma V coloca a interação intestino–cérebro como núcleo, faz sentido ter instrumentos que aproximem a fisiologia entérica de uma leitura clínica. O CoproOne® SII trabalha com mediadores fecais que conversam com motilidade, sensibilidade e reatividade neuroimune:

  • serotonina: sinalização entérica e regulação da motilidade;

  • triptofano: substrato e eixo metabólico ligado à via serotoninérgica;

  • GABA: modulação inibitória e “freio” neuroentérico;

  • histamina: ponte entre imunidade de mucosa e excitabilidade/sintoma.

O Manual do Prescritor detalha a interpretação integrada desses quatro eixos para leitura do quadro e acompanhamento terapêutico.


CoproOne® EDN: quando “intolerância alimentar” pode ser inflamação eosinofílica não IgE-mediada

CoproOne EDN

O Roma V, ao valorizar mecanismos e reduzir terminologias imprecisas, favorece uma pergunta mais adequada: há evidência de inflamação intestinal por via específica que justifique sintomas e reatividade alimentar?

O CoproOne® EDN (EDN/EPX fecal) propõe avaliação de atividade eosinofílica intestinal, útil na suspeita de inflamação associada a alergias alimentares não IgE-mediadas. Essa abordagem é descrita nos materiais técnicos da LabRx como alternativa fisiopatológica ao uso indevido de painéis sorológicos não validados para “intolerâncias”.


Histamina como driver: integrar CoproOne® (fezes) e DBS® Intolerância Histamínica (sistêmico)

DBS Intolerância Histamínica

Dentro do eixo intestino-cérebro, histamina é um ponto de cruzamento entre mucosa, mastócitos, permeabilidade, microbiota e circuito neural. No Manual do Prescritor, a histamina fecal é apresentada como marcador de reatividade neuroimune de mucosa e, quando necessário, pode ser integrada a DAO e histamina em DBS para leitura funcional do componente sistêmico.


NeuroStress® e DBS® Neuroinflamação: quando o eixo central está sustentando sintomas

O Roma V dá peso ao processamento central do sintoma (dor, hipervigilância, estresse, sono). Em parte dos pacientes, o intestino entra em modo reativo porque o sistema como um todo está em carga alostática.

  • NeuroStress®: quantifica neurotransmissores urinários e ajuda a mapear padrões neuroquímicos compatíveis com hiperexcitabilidade, baixa modulação inibitória e sobrecarga adaptativa.

    NeuroStress
  • DBS® Neuroinflamação (IDO, triptofano, quinurenina): auxilia a leitura da ativação da via do triptofano no contexto neuroimunometabólico.

DBS Neuroinflamação

O Roma V tornou o eixo intestino-cérebro o centro da compreensão moderna das síndromes gastrointestinais “sem lesão estrutural proporcional ao sintoma”, descrevendo mecanismos reais (motilidade, sensibilidade, barreira/imunidade, microbiota e modulação central). Dentro dessa visão, os exames da LabRx funcionam como ferramentas de tradução clínica: ajudam a transformar o raciocínio mecanístico em padrões mensuráveis, orientando condutas mais específicas e permitindo acompanhamento objetivo da resposta, sem reduzir o diagnóstico a um único biomarcador.



Manual do Prescritor LabRx

Para aplicar essa leitura do eixo intestino-cérebro alinhada ao Roma V, o Manual do Prescritor LabRx detalha faixas funcionais e interpretação por padrões integrados dos painéis (CoproOne® Disbiose, CoproOne® SII, CoproOne® EDN, DBS® e NeuroStress®), facilitando a conexão entre fisiopatologia, sintoma e estratégia de acompanhamento.






Referências

LABRX. Manual do Prescritor. Novembro, 2025.

VIRTOS, André Ribeiro; SUGIYAMA, Mitiko; VIRTOS JR, Odair Casado. A Relação Eixo Intestino-Cérebro na Depressão & Biomarcadores. 2024.

VIRTOS, André Ribeiro; SUGIYAMA, Mitiko; VIRTOS JR, Odair Casado. Tratamento de Transtornos Mentais através do Monitoramento dos Neurotransmissores. 2025.

VIRTOS, André Ribeiro; SUGIYAMA, Mitiko; VIRTOS JR, Odair Casado. EDN Fecal: Teste de Exclusão de Intolerâncias Alimentares versus Testes de IgG Alimentares. 2025.

GROVER, Madhusudan et al. The Intestinal Microenvironment and Disorders of Gut–Brain Interaction. Gastroenterology, 2026.ELSENBRUCH, Sigrid et al. Biopsychosocial Aspects of Adult and Pediatric Disorders of Gut–Brain Interaction. Gastroenterology, 2026.CORSETTI, Maura et al. Bowel Disorders. Gastroenterology, 2026.PALSSON, Olafur S. et al. Development of the Rome V Diagnostic Questionnaires. Gastroenterology, 2026.

Comments


  • Instagram
  • Whatsapp

© 2025 por FastTest.

LabRx® é uma marca registrada da FastTest®

FastTest Distribuidora de Produtos para Laboratório LTDA

CNPJ: 20.037.992/0001-39 | CEVS: 354995313-464-000001-1-6

CNES: 2914484 | ANVISA: 8.10868-3

Responsável Técnico: Mitiko Sugiyama | CRF/SP: 7615

labrx@fasttest.com.br - Tel: (11) 94959-2950

Logo Anvisa
CE IVD
ISO
Quality Management System for Medical Devices
ISO 13485:2016
ISO 9001:2015
MDSAP
GMP Certified
EU-IVDR
SBAC

Laboratório Associado 
Sociedade Brasileira de
Análises Clínicas

A LabRx | FastTest. segue as determinações da ANVISA e todos os seus produtos são registrados nos devidos órgãos nacionais e internacionais.

Somente o profissional de saúde habilitado está em condições de diagnosticar qualquer problema de saúde e prescrever o tratamento adequado. As informações contidas neste site não devem ser usadas para automedicação e não substituem, em hipótese alguma, as orientações dadas pelo profissional de saúde. As fotos contidas em nosso site são meramente ilustrativas. Atendimento de Segunda à Sexta das 08 às 18h00, exceto Feriados.

A FastTest. realiza o tratamento de seus dados pessoais de acordo com os princípios da boa-fé, finalidade, adequação, necessidade, lívre acesso, qualidade de dados, segurança, prevenção, não discriminação e, mais importante, transparência. Qualquer tratamento de dados pessoais, sensíveis ou não, realizado pela FastTest. estará baseado em fundamento legal e se dará de forma adequada com a finalidade da sua coleta.

bottom of page