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O que é o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e como funciona?

O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) é o principal sistema neuroendócrino de adaptação ao estresse. Ele integra sinais do cérebro (ameaça percebida, dor, sono, inflamação, jejum, exercício, estímulos sociais) e coordena uma resposta hormonal capaz de modular energia, imunidade, inflamação, humor, cognição e ritmicidade circadiana. Por isso, quando se fala em fadiga persistente, reatividade ao estresse, sintomas ansiosos, alterações de sono ou oscilações metabólicas, quase sempre vale perguntar: o eixo HPA está responsivo, hiperativado ou “travado” por feedback?


Definição rápida do eixo HPA

Em termos operacionais, o eixo HPA funciona como uma cascata:

  • Hipotálamo libera CRH (e, em alguns contextos, vasopressina).

  • Hipófise anterior responde ao CRH liberando ACTH.

  • Córtex adrenal responde ao ACTH produzindo cortisol (e também andrógenos adrenais como DHEA/DHEA-S, dependendo do contexto).

O cortisol então exerce feedback negativo em múltiplos níveis (cérebro/hipotálamo/hipófise), ajustando o “ganho” do sistema para evitar resposta excessiva e custos fisiológicos desnecessários.


Componentes do eixo: quem faz o quê?

Hipotálamo: o integrador de ameaça e ritmo

O hipotálamo recebe entradas de redes límbicas e autonômicas (ameaça, valência emocional, memória), além de sinais metabólicos e inflamatórios. A partir disso, modula a liberação de CRH e inicia a resposta do eixo HPA. Essa etapa é crucial para entender por que estressores psicológicos podem produzir respostas hormonais intensas mesmo sem lesão tecidual.

Hipófise anterior: o amplificador (ACTH)

A hipófise converte o sinal do CRH em ACTH, que é um “comando” sistêmico para a adrenal. Na prática clínica, isso explica por que alterações centrais (sono, estresse crônico, depressão, inflamação) podem se manifestar como padrões periféricos de cortisol alterados, mesmo sem doença estrutural adrenal.

Adrenal: cortisol e o eixo “energia–imunidade”

O cortisol atua como um hormônio de alocação de recursos: aumenta disponibilidade energética, modula tônus vascular e regula a resposta imune/inflamatória. Em paralelo, a adrenal também produz DHEA e DHEA-S, moléculas frequentemente discutidas como parte do balanço “catabolismo–anabolismo” na adaptação ao estresse.


Ritmo circadiano, pulsatilidade e a resposta ao despertar

O eixo HPA não funciona em “liga/desliga”. Ele opera em pulsos e com forte organização circadiana. Na maior parte dos indivíduos, o cortisol apresenta valores mais altos pela manhã e queda progressiva ao longo do dia até níveis baixos à noite, coerente com um organismo que precisa estar metabolicamente ativo durante o período de vigília.

Um ponto prático é a cortisol awakening response (CAR): um aumento típico de cortisol logo após acordar, refletindo a transição do organismo para estado de alerta e ação. Em avaliações funcionais, medir apenas um ponto isolado pode perder informação. Por isso, perfis multiponto (curva diurna) tendem a ser mais informativos do que uma dosagem única quando o objetivo é discutir ritmo, carga alostática e padrão de adaptação.


Feedback negativo e “tônus” do sistema: por que o eixo pode parecer alto ou baixo?

O eixo HPA é regulado por mecanismos de feedback em diferentes escalas de tempo. Em algumas condições clínicas e fenotípicas, pode ocorrer:

  • Feedback negativo aumentado, levando a cortisol basal baixo e/ou resposta atenuada a desafios.

  • Ativação crônica (ou perda de flexibilidade), com padrões de cortisol incompatíveis com a necessidade circadiana e com maior custo fisiológico ao longo do tempo.

  • Respostas dissociadas entre cortisol e DHEA/DHEA-S, sugerindo mudanças de regulação adrenal e/ou do eixo em diferentes níveis.

Essa lógica ajuda a evitar um erro comum: interpretar “cortisol baixo” sempre como “adrenal fraca”. Em vários cenários, o que está baixo é o output final porque o sistema está fortemente freado por feedback (ou com responsividade reduzida).


Eixo HPA e imunidade: quando o estresse vira sinal inflamatório

O cortisol participa de uma regulação fina da imunidade. Em contextos de estresse crônico e trauma, padrões de cortisol e DHEA podem se associar a alterações de citocinas inflamatórias. Em mulheres com TEPT, por exemplo, foi descrito um perfil com cortisol mais baixo, DHEA mais alto e associação com marcadores pró-inflamatórios (como TNF-α e IL-6), reforçando que o eixo HPA não é “só estresse”: ele é um eixo neuroimunoendócrino na prática clínica.


Cortisol e DHEA: por que a razão pode ser mais informativa que um valor isolado


SalivaCare

Em fisiologia do estresse, uma pergunta recorrente é: o organismo está pagando “custo catabólico” sem contrapeso adaptativo? Nesse contexto, comparar cortisol com DHEA/DHEA-S pode agregar leitura funcional:

  • O cortisol tende a representar maior componente catabólico/energético da resposta.

  • DHEA/DHEA-S são frequentemente discutidos como parte do eixo de reserva/adaptação, especialmente por seu comportamento em estressores agudos e por variações com idade.


O que a evidência humana sugere em contextos clínicos

Alguns achados úteis para raciocínio clínico e discussão de mecanismo:

  • Estresse agudo: uma revisão sistemática com meta-análise mostrou que DHEA aumenta após estressor agudo, com padrão temporal típico (aumento e retorno ao basal conforme a janela pós-estresse), apoiando seu uso como marcador de resposta aguda quando bem contextualizado (tipo de estressor, timing e matriz).

  • Depressão resistente ao tratamento: foi descrita elevação da razão cortisol/DHEA em pacientes com depressão resistente, sugerindo um deslocamento do balanço hormonal associado à adaptação ao estresse.

  • Ansiedade social e reatividade: em estressores psicossociais padronizados, há descrições de respostas de cortisol atenuadas com DHEA elevado em subgrupos, coerente com a ideia de que a “assinatura” do eixo depende do fenótipo e da história de estresse.

  • Envelhecimento biológico: dados recentes associaram a razão cortisol/DHEA-S com aceleração de idade epigenética, sugerindo relevância do balanço desses hormônios como parte de assinaturas biológicas de estresse crônico.

O ponto prático: razões e perfis tendem a ser mais interpretáveis do que “um número” fora do contexto de ritmo, fase circadiana, sono e estressores recentes.


Como avaliar o eixo HPA na prática: comparação de abordagens

A escolha do método depende da pergunta clínica: ritmo? responsividade? feedback? carga alostática?

Abordagem

O que responde melhor

Vantagens

Limitações práticas

Cortisol em ponto único (qualquer matriz)

“Snapshot” do momento

Simples e acessível

Alto risco de confusão por horário, sono, estresse recente

Curva diurna de cortisol (multiponto)

Ritmo circadiano e padrão de queda ao longo do dia

Captura organização temporal

Exige aderência de coleta e padronização

Cortisol + DHEA/DHEA-S

Balanço “cortisol–reserva/adaptação”

Pode aumentar poder interpretativo

Interpretação depende de idade, sexo, timing e matriz

Testes dinâmicos (supressão/estímulo)

Feedback e capacidade de resposta do eixo

Alta especificidade fisiológica

Menos “rotina” em consultório, exige protocolo e indicação


Padrões interpretativos frequentes (sem transformar biomarcador em diagnóstico)

Para evitar sobreinterpretação, vale tratar padrões como hipóteses fisiológicas que precisam conversar com história clínica, sono, inflamação, medicações e exposição a estressores:

  • Curva diurna “achatada”: pode sugerir perda de amplitude circadiana, comum em contextos de estresse crônico, distúrbios do sono e algumas condições psiquiátricas/funcionais.

  • Manhã baixa com noite relativamente alta: levanta hipóteses sobre desalinhamento circadiano, sono fragmentado, trabalho noturno ou hiperalerta noturno.

  • Razão cortisol/DHEA (ou cortisol/DHEA-S) elevada: pode indicar um balanço mais “catabólico” no contexto de adaptação ao estresse, já observado em subgrupos clínicos.

  • Cortisol baixo com sintomas altos: pode refletir feedback aumentado e/ou baixa responsividade do eixo, e não necessariamente falência adrenal.


Perguntas frequentes (FAQs) sobre o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal


1) O que é “disfunção do eixo HPA”?

É um termo funcional para descrever alterações de ritmo, responsividade ou feedback do sistema CRH–ACTH–adrenal, sem implicar automaticamente doença estrutural.


2) Cortisol “alto” sempre significa estresse?

Não. Pode refletir horário inadequado de coleta, privação de sono, exercício, dor, inflamação, fármacos, além de estresse agudo.


3) E cortisol “baixo”?

Também não é sinônimo de “adrenal fraca”. Em alguns cenários, pode indicar freio aumentado por feedback ou responsividade reduzida do eixo.


4) Por que medir vários horários em vez de um só?

Porque o cortisol é fortemente dependente do ritmo circadiano. Perfis multiponto ajudam a avaliar padrão, não apenas um valor.


5) O que é CAR (cortisol awakening response)?

É a resposta de aumento do cortisol no período logo após acordar, relacionada à transição para estado de alerta e organização do dia.


6) DHEA e DHEA-S são a mesma coisa?

Não. DHEA-S é a forma sulfatada, com meia-vida maior e comportamento mais estável; DHEA tende a variar mais conforme o contexto e timing.


7) Faz sentido usar razão cortisol/DHEA (ou cortisol/DHEA-S)?

Pode fazer, quando a pergunta clínica envolve balanço adaptativo e quando a coleta respeita horário/condições. Há evidência de associação dessa razão com fenótipos clínicos e marcadores de envelhecimento biológico em estudos específicos.


8) Quais fatores mais atrapalham a interpretação do eixo HPA?

Sono ruim na véspera, horário de acordar variável, estressor agudo, exercício intenso, álcool, tabagismo, inflamação aguda, e fármacos que modulam o eixo.


O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal não é apenas um “termômetro do estresse”: ele é um sistema de engenharia biológica que regula energia, imunidade e ritmo circadiano por meio de cascatas hormonais e feedback. Quando a avaliação considera tempo (curva) e balanço hormonal (razões), a discussão clínica tende a ficar mais fiel ao que o eixo realmente faz: adaptar, proteger e, quando cronicamente exigido, cobrar um preço fisiológico.



Manual do Prescritor LabRx

No Manual do Prescritor LabRx, a interpretação do eixo HPA é apresentada de forma aplicada, conectando ritmo hormonal (curvas), padrões funcionais e integração com outros eixos monitoráveis em prática clínica. Para aprofundar a leitura do tema, vale consultar as seções dedicadas ao cortisol e aos hormônios adrenais dentro do painel SalivaCare, com orientações de aplicação e raciocínio integrado.



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