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Elastase Pancreática Fecal: biomarcador de insuficiência pancreática exócrina no contexto de disbiose e má digestão

CoproOne Disbiose

A elastase pancreática fecal (também reportada como elastase-1 fecal) é um dos marcadores coprológicos mais úteis para inferir capacidade secretória exócrina do pâncreas por um método não invasivo. Em prática clínica, ela ajuda a qualificar um eixo muitas vezes subestimado na avaliação intestinal: digestão enzimática. Quando a digestão proteolítica e lipolítica é insuficiente, o lúmen passa a receber maior carga de substratos não digeridos, favorecendo fermentação, alterações de consistência e odor das fezes, distensão e repercussões nutricionais. Dentro de uma lógica funcional, essa etapa é anterior (e causal) para ciclos de disfunção intestinal, porque má digestão e má absorção tendem a sustentar padrões disbióticos e reatividade de mucosa.


O que a elastase pancreática fecal mede, de fato

A elastase pancreática é uma protease produzida pelas células acinares, e sua quantificação em fezes é considerada um teste de função exócrina com boa aplicabilidade clínica. Dois pontos justificam a robustez do marcador:

  • Alta estabilidade durante o trânsito intestinal, com baixa degradação, o que permite que a concentração fecal reflita a secreção pancreática de forma prática.

  • Especificidade para elastase humana, de modo que a mensuração utilizada pela LabRx não sofre interferência relevante de preparações de enzimas pancreáticas de origem animal.

Em estudos clínicos, a elastase fecal mostrou correlação com parâmetros de testes diretos (como estímulo com secretina/colecistocinina) e desempenho superior a marcadores coprológicos mais antigos, como quimotripsina fecal, especialmente para insuficiência moderada e grave.


Interpretação clínica: faixas usuais e leitura orientada por contexto

Na rotina, a elastase fecal é reportada em µg/g de fezes. Uma forma objetiva de organizar a interpretação (em adultos e em crianças após o primeiro mês de vida) é:

  • >200µg/g: compatível com função exócrina pancreática preservada.

  • 100–200µg/g: faixa sugestiva de insuficiência exócrina; requer correlação clínica e, com frequência, confirmação em uma segunda amostra, sobretudo quando o paciente está em quadro diarreico ou com fezes muito aquosas.

  • <100µg/g: fortemente compatível com insuficiência pancreática exócrina; em cenários de insuficiência estabelecida, valores acima de 100µg/g tendem a ser incomuns.

Ponto crítico pré-analítico: a concentração fecal do marcador pode ser influenciada pela fração hídrica das fezes. Em fezes muito aquosas, pode ocorrer “diluição” e resultados falsamente baixos. Por isso, valores na zona intermediária (100–200µg/g) ganham qualidade quando interpretados junto de consistência fecal, quadro clínico e, quando necessário, repetição/confirmatórios.


Quando suspeitar de insuficiência pancreática exócrina a partir da elastase fecal

A elastase fecal se torna particularmente informativa quando o paciente apresenta sinais e sintomas compatíveis com má digestão e má absorção, como:

  • distensão e gases pós-prandiais, sensação de “fermentação”;

  • fezes com esteatorreia clínica (oleosas, volumosas, difíceis de eliminar);

  • perda ponderal não intencional ou dificuldade de ganho;

  • história de deficiência de micronutrientes, especialmente vitaminas lipossolúveis.

Do ponto de vista etiológico, o marcador é usado tanto em condições pancreáticas primárias quanto em cenários associados. Estudos clínicos relatam sua aplicabilidade em suspeita de pancreatite crônica e também em acompanhamento funcional em situações específicas. Em pacientes com diabetes mellitus, por exemplo, foi descrita associação entre diabetes e valores reduzidos de elastase fecal, sugerindo maior frequência de disfunção exócrina nessa população e reforçando a necessidade de leitura integrada (sintomas, dieta, absorção e outros marcadores).


Integração no CoproOne® Disbiose: por que a digestão é o “primeiro eixo”

No modelo funcional, a digestão e a absorção formam o primeiro eixo interpretativo, porque uma falha nessa etapa tende a organizar o restante do padrão intestinal. No CoproOne® Disbiose, a elastase pancreática é integrada ao raciocínio de eficiência digestiva: elastase baixa sugere insuficiência exócrina, com tendência a fermentação, esteatorreia e deficiência nutricional. Essa base digestiva inadequada favorece maior disponibilidade de substratos para crescimento bacteriano e reforça um ciclo vicioso de disfunção intestinal, com sintomas pós-prandiais e piora do terreno metabólico.

Na prática, isso muda a condução: um paciente com queixa “funcional” (distensão, gases, intolerâncias percebidas) pode ter como motor primário uma maldigestão enzimática, e não necessariamente um problema inicial de barreira ou inflamação. Quando a digestão é corrigida, parte do padrão de reatividade luminal pode regredir.


Conduta guiada por resultado: próximos passos úteis

A elastase fecal não é um “diagnóstico final”, e sim um marcador de decisão. Uma abordagem clínica consistente costuma seguir esta lógica:

  • >200µg/g com sintomas importantes: considerar outros eixos (ácidos biliares, inflamação, barreira, reatividade) e revisar dieta, motilidade e fatores que alteram o trânsito.

  • 100–200µg/g:

    • correlacionar com consistência fecal e quadro clínico;

    • repetir em segunda amostra quando a amostra inicial foi muito aquosa;

    • considerar confirmatórios de má absorção quando indicado (por exemplo, avaliação de gordura fecal conforme cenário clínico).

  • <100µg/g:

    • tratar como forte evidência de insuficiência exócrina clinicamente relevante;

    • avaliar impacto nutricional e necessidade de estratégia terapêutica direcionada, além de investigação etiológica conforme história e risco.

Um uso muito prático do marcador é no seguimento longitudinal:quando o objetivo é acompanhar função exócrina (e não apenas “rotular” uma condição), a elastase fecal pode servir como parâmetro seriado, desde que a coleta seja comparável e o contexto clínico seja levado em conta.

A elastase pancreática fecal, portanto, é uma peça-chave quando o objetivo é diferenciar disbiose “secundária a falha digestiva” de padrões predominantemente inflamatórios ou de barreira. Sem digestão adequada, o intestino tende a permanecer bioquimicamente reativo, mesmo com intervenções focadas apenas em microbiota.


Manual do Prescritor LabRx

No Manual do Prescritor LabRx, a elastase pancreática é discutida dentro da lógica hierárquica de interpretação do CoproOne® Disbiose, posicionando digestão e absorção como o primeiro eixo para qualificar o padrão funcional intestinal e orientar a leitura integrada dos demais biomarcadores do painel.



Referências:

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KANGRGA, Ranka N.; IGNJATOVIC, Svetlana D.; DRAGASEVIC, Mirjana M.; JOVICIC, Snezana Z.; MAJKIC-SINGH, Nada T. Pancreatic elastase levels in feces as a marker of exocrine pancreatic function in patients with diabetes mellitus. Laboratory Medicine, v. 47, n. 2, p. 140–148, 2016.

LÖSER, Chr; MÖLLGAARD, A.; FÖLSCH, U. R. Faecal elastase 1:a novel, highly sensitive, and specific tubeless pancreatic function test. Gut, v. 39, p. 580–586, 1996.

NANDHAKUMAR, Nagarajan; (col.). Faecal elastase-1 in clinical practice:interpretation and pitfalls. Archives of Disease in Childhood:Education and Practice Edition, v. 95, p. 119–123, 2010.

NARUSE, Satoru; ISHIGURO, Hiroshi; KO, Shigeru B. H.; et al. Fecal pancreatic elastase:a reproducible marker for severe exocrine pancreatic insufficiency. Journal of Gastroenterology, v. 41, p. 901–908, 2006.

STEIN, J.; JUNG, M.; SZIEGOLEIT, A.; et al. Immunoreactive elastase-1:clinical evaluation of a new noninvasive test of pancreatic function. Clinical Chemistry, v. 42, n. 2, p. 222–226, 1996.

WHITCOMB, David C. Elastase and pancreatic function:implications for indirect testing. Digestive Diseases and Sciences, v. 52, p. 1–17, 2007.


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